Sim, está certo, matar uma pessoa está errado e ficamos sempre perturbados com qualquer história de homicídio. Porém, é verdade que nem todos os homicídios são iguais e há alguns casos que nos levam logo a pensar que o homicida não é o único responsável pelo que aconteceu.
Este é o caso do recém-ocorrido homícidio de Carlos de Jesus de 55 anos, residente em Esteiro, Pampilhosa da Serra, que foi morto pelo seu filho João Fernandes de 16 anos. O rapaz entregou-se às autoridades depois de cometer o crime (isso tem de significar alguma coisa) e admitiu às autoridades que já tinha sido vítima de abuso sexual por parte do pai e que era maltratado por ele. O facto do jovem se ter entregue à polícia neste caso pode revelar que o jovem sentiu que fez o que devia ter feito ao matar o pai mas que na sua consciência sabia que era um crime e queria pagar por isso.
Não me acredito que João Fernandes seja um criminoso qualquer capaz de matar qualquer pessoa. O jovem concerteza sentiu que,não sendo independente, a única forma de se livrar dos maus tratos do seu pai era acabar-lhe com a vida. Foi a melhor solução? Não! A morte, salvo raras excepções, nunca é solução mas em certas alturas o coração fala mais alto que a razão.
Neste caso aplica-se o provérbio: “Quem semeia ventos colhe tempestades”. O pai maltratava-o, o filho disse chega.
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